A Rua da Junqueira corre paralela ao rio Tejo, ligando Alcântara a Belém. Maioritariamente habitacional é morada de vários palácios senhoriais classificados como imóveis de interesse público, alguns reabilitados, outros em avançado estado de degradação. Com a conversão de um conjunto de armazéns abandonados num edifício de habitação multifamiliar, procurou-se criar um conjunto harmonioso com os edifícios confinantes e com o desenho da rua, promovendo a regeneração funcional e a valorização arquitetónica e urbanística desta área.
No alçado principal, os elementos estruturais marcadamente industriais foram recuperados e a a métrica dos vãos foi mantida, devolvendo a esta fachada a imponência que terá tido noutros tempos. No seu interior, a construção nova assume uma linguagem mais contemporânea, distribuindo as frações por dois núcleos isolados. A tardoz, rasgam-se grandes vãos, criam-se pátios, terraços e varandas, preservando a privacidade aos que ali irão habitar e tirando partido das visitas sobre o Tejo e a Ponte 25 de Abril. Nas coberturas dos núcleos foram criados jardins de uso comum com zonas de estadia e piscina.
O programa desenrola-se em 11 frações distribuídas pelos dois núcleos, cada um com três pisos acima do solo, um deles com estacionamento semienterrado. A configuração interior dos apartamentos assenta essencialmente na localização dos quartos a norte e das zonas sociais a sul, viradas para o rio. A disposição das frações entre si e em relação ao núcleo em que se inserem permitiu a criação de espaços exteriores privados.
O projeto foi implantado num território contíguo ao nosso projeto Quake.