Espaço

A ideia de transformação e mutação aliada à forma do círculo, deu origem a um conjunto de módulos de assento que se adaptam e se encaixam, criando uma composição única a cada interação, onde cada curva, cada detalhe é uma celebração da simplicidade e da autenticidade.

Cada ação, cada gesto, cada criação que fazemos deixa uma marca no mundo. Este foi o princípio que guiou o nosso percurso ao longo dos últimos 30 anos e que procurámos materializar em todos os elementos produzidos para as celebrações. Para além de pensarmos o espaço, quisemos aproveitar a oportunidade para conceber peças de mobiliário marcantes e multi-funcionais. Ao invés de alugarmos todo o mobiliário ou recorrermos à produção de peças de uso único, todas as peças foram pensadas para servir uma função no dia-a-dia do atelier independentemente dos eventos, sublinhando assim o nosso compromisso com a sustentabilidade. Destacamos a conceção de um conjunto de módulos de assento em cortiça, um material resistente mas permeável. Cada banco parte da forma do círculo e reconfigura-o, inspirado nas formas orgânicas e no fluxo constante da natureza. Seja em unidade ou conjunto, estas peças transmitem uma ideia de movimento, de metamorfose e de um percurso de permanente aprendizagem e adaptação.

 

Desenho, Beatriz Andrade (in-house)
Material, Amorim
Produção, Cincork

A utilização da cortiça sublinha o nosso compromisso com a sustentabilidade, vontade de inovar, de querer deixar algo melhor para o futuro. 

Estivemos à conversa com Délio Carquejo, diretor do centro de formação Cincork sobre o processo de produção destas peças.

Optámos por utilizar a cortiça como material para os bancos, um recurso natural e sustentável. Pode falar um pouco sobre o processo de fabricação e como a escolha desse material influencia o produto final?

O “ouro” de Portugal, a nossa cortiça, é um material fantástico e a sua utilização em projetos como aquele que desenvolvemos com o Fragmentos (bancos em cortiça) traz várias vantagens. O processo de fabricação de bancos de cortiça envolve várias etapas, desde a extração da cortiça até à produção final. Primeiro, a cortiça é extraída dos sobreiros, um processo que não danifica a árvore e permite que ela continue a crescer e a produzir mais cortiça. Após a extração é triturada e granulada para ser moldada em diferentes formas. No caso dos bancos, a cortiça é moldada em blocos que são depois cortados e trabalhados para criar a estrutura do banco. Este processo pode incluir a utilização de aglutinantes específicos para garantir a durabilidade e a resistência do produto final. A escolha da cortiça como material influencia significativamente o produto final. A cortiça é leve, resistente e tem propriedades de isolamento térmico e acústico. Além disso, é um material sustentável e reciclável, o que contribui para um produto final mais ecológico e com menor impacto ambiental.

Como veem a interação e esta troca de sinergias entre o Cincork como centro de formação, a Amorim com principal player da cortiça em Portugal e um cliente como o Fragmentos?

A interação e a troca de sinergias entre o Cincork, a Amorim e o Fragmentos são extremamente valiosas e benéficas para todas as partes envolvidas. O Cincork, como centro de formação, desempenha um papel crucial ao fornecer formação especializada e de alta qualidade na área da cortiça. Esta formação não só capacita os profissionais com as competências necessárias, como também promove a inovação e a sustentabilidade na indústria. A colaboração com empresas do setor (e com esta em particular), que traz uma vasta experiência e conhecimento do mercado é fundamental para o desenvolvimento deste tipo de projeto. O Fragmentos, como cliente, beneficia diretamente destas colaborações ao ter acesso a produtos de cortiça de alta qualidade e sustentáveis, que podem ser utilizados em diversas aplicações. Além disso, estas parcerias colocam as entidades na vanguarda da inovação e sustentabilidade, o que é uma mais-valia no mercado atual. Esta sinergia cria um ciclo virtuoso onde a formação, a produção e a aplicação de cortiça se complementam, resultando em produtos finais que são não só inovadores e de alta qualidade, mas também sustentáveis e ambientalmente responsáveis.

Acreditam que haverá uma tendência crescente em direção ao uso de materiais naturais e sustentáveis, como a cortiça, no futuro da arquitetura e do design de equipamento?

Sim, acreditamos que haverá uma tendência crescente em direção ao uso de materiais naturais e sustentáveis, como a cortiça, no futuro da arquitetura no design de equipamento e noutras aplicações. Esta tendência é impulsionada por várias razões. Primeiro, a crescente consciência ambiental e a preocupação com a sustentabilidade estão a levar consumidores e empresas a procurar materiais que tenham um menor impacto ambiental. A cortiça, sendo um material ecológico, reciclável e reutilizável, encaixa perfeitamente nesta procura. Além disso, a cortiça possui propriedades únicas que a tornam ideal para diversas aplicações. É leve, resistente, tem excelentes propriedades de isolamento térmico e acústico, e é também hipoalergénica.  Estas características fazem com que a cortiça seja cada vez mais valorizada em projetos de arquitetura e design de equipamento. A inovação contínua no setor da cortiça também contribui para esta tendência. Investimentos em investigação e desenvolvimento têm levado à criação de novos produtos e aplicações para a cortiça, desde materiais de alta tecnologia para a indústria aeroespacial até polímeros compostos para o setor dos transportes. Esta inovação abre novas possibilidades para o uso da cortiça em projetos nas suas múltiplas vertentes. Por fim, a cortiça é um símbolo de sustentabilidade e responsabilidade ambiental, algo que é cada vez mais valorizado pelos consumidores e mercados. A consciência das novas gerações sobre a preservação do meio ambiente e do planeta faz com que a procura por soluções eficazes, mas também social e ambientalmente responsáveis, continue a crescer.

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