Materiais gráficos
Na identidade gráfica do aniversário do Fragmentos predomina o azul. Esta cor, escolhida como cor secundária da marca, irrompe, como apontamento, a predominância do monocromático. Do ponto de vista espacial procurou-se mimetizar este processo — num espaço maioritariamente branco, preto, neutro, o azul dos materiais gráficos traz luz, contraste e irreverência. O princípio arqueológico de seguir um rasto e materializá-lo remete-nos para a ideia de processo, de bastidores. Nos materiais gráficos físicos, esta ideia reflete-se na escolha de materiais e processos mais artesanais, que o digital vem depois complementar. Dos vários materiais gráficos produzidos destaca-se a folha de sala. Este objeto é uma espécie de livro de bordo, um guia pela história do Fragmentos, que, para além de complemento à leitura dos painéis expositivos presentes no espaço funciona como objeto em si mesmo.
Localização, Lisboa, Portugal
Cliente, Fragmentos
Conceção, Luísa Goulão (in-house)
Impressão, MAGO Studios
Acabamentos, Digiset, Umbarraum
A folha de sala é um objeto editorial composto por três pequenos livros. Através das palavras, da fotografia e dos esquissos é contada a história das três décadas. Há um caminho que foi percorrido ao longo deste período, esse caminho foi representado neste objeto através do papel vegetal que une os três livros. Impresso a risografia, conecta o conteúdo à materialidade, traz um lado manual, humano que reflete a história deste atelier.
Estivemos à conversa com Bina Tangerina e Marcos Matos, ilustradores e fundadores do MAGO Studio, acerca do processo de impressão em serigrafia:
Optámos pela risografia para trazer este lado mais artesanal, pessoal. Podem falar um pouco sobre este método de impressão e de que forma influencia o objeto final?
A risografia é um método de impressão que, à semelhança da serigrafia e do offset, trabalha com cores directas. A impressão com cores directas, combinada com a textura que também caracteriza a técnica, resulta numa impressão vibrante com acabamento aveludado e com um aspecto orgânico que remete a um lado mais artesanal, tornando o objecto impresso mais singular.
Como é que vêem este encontro da arquitetura com o vosso trabalho? Temos a perceção de que não será o encontro mais óbvio, pois, na sua maioria, os objetos impressos produzidos para a arquitetura comunicam de forma realista as cores dos materiais, as linhas dos projetos...
Este encontro foi, para nós, a tradução perfeita para o objecto que foi criado. Esta delicada união entre o analógico e orgânico da risografia combinada com o digital e "direitinho" usado nas publicações de arquitetura, remete ao caminho, ao processo entre uma ideia e um projecto finalizado.
Como é que vêem a procura por este método de impressão nos dias de hoje e no futuro?
Achamos que, cada vez mais, seja por necessidade de re-conexão em oposição ao uso excessivo das tecnologias ou pela autenticidade que caracteriza estes métodos de impressão, vamos ter tendência a escolher técnicas mais manuais e de as integrar também com técnicas digitais. Nós procuramos esta dualidade entre analógico e digital, é das partes mais interessantes na hora de produzir os trabalhos. Poder explorar este leque de possibilidades junto com o cliente, deixa-nos sempre muito entusiasmados!